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S76

Artigo Original

Introdução

Desafios na formação dos recursos humanos

da saúde

O investimento nas estratégias de desenvolvimento da

força de trabalho na saúde é reconhecido internacional-

mente como um poderoso meio para acelerar a obtenção

de ganhos em saúde [1,2]. Contudo, e apesar da evidência

e das iniciativas crescentes nesta área, suprir o défice de

trabalhadores da saúde continua a ser um dos maiores de-

safios para todos os países [1,2,3], mas em especial para os

de médio e baixo rendimento [1,2].

A renovação e a expansão de uma força de trabalho em

saúde qualificada dependem, entre outros fatores, da ca-

pacidade do sistema educativo para formar e treinar pro-

fissionais de saúde com os conhecimentos e competências

que lhes permita lidar com as necessidades de saúde das

populações. Os cursos de formação e treino deverão ter

como objetivo a aprendizagem que implique, nos partici-

pantes, a mudança de atitudes, o aumento dos seus conhe-

cimentos e/ou a melhoria das suas competências [4].

A sustentabilidade dos programas de formação orienta-

dos para o fortalecimento de capacidades nos profissionais

é um dos principais desafios das entidades promotoras e

financiadoras. O longo intervalo de tempo entre as mu-

danças comportamentais esperadas com os resultados da

formação e o aparecimento dos seus efeitos, a reduzida

atenção ao contexto dos participantes e outros fatores

influentes, como a constante fuga de quadros devido à

falta de condições laborais, a ausência de um sistema de

informação adequado, a forte dependência externa dos

programas formativos e a falta de coordenação entre as

várias entidades interessadas são fatores apontados como

condicionantes negativos da sustentabilidade dos progra-

mas formativos [5,6].

Diversas organizações têm vindo a desenvolver estratégias

de formação e capacitação dos profissionais de saúde nos

países de médio e baixo rendimento que sejam susten-

táveis, entre as quais, em Portugal, a Fundação Calouste

Gulbenkian (FCG).

Programa Gulbenkian Parcerias

para o Desenvolvimento

O“Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimen-

to” (PGPD) da FCG, tem como objetivo contribuir para

o desenvolvimento dos Países Africanos de Língua Oficial

Portuguesa (PALOP) e de Timor-Leste, através do refor-

ço das capacidades das pessoas e organizações desses ter-

ritórios e do fomento de redes e parcerias em prol do de-

senvolvimento sustentável, focando a sua intervenção nas

áreas da educação e da saúde, incluindo a investigação [7].

O “Concurso para Estágios de Curta Duração em Portugal

para Profissionais de Saúde dos PALOP e Timor-Leste” é

uma das iniciativas incluídas no PGPD, tendo por objetivo

geral contribuir para o aumento do número de profissionais

de saúde capacitados nos países parceiros na área da Saúde.

Esta iniciativa diferencia-se de outras semelhantes, por ba-

sear-se na iniciativa e mérito individual e não numa escolha

institucional e, ou, hierarquicamente decidida.

OConcurso destina-se à atribuição de bolsas para a realiza-

ção de estágios de profissionais de saúde provenientes dos

PALOP eTimor-Leste, que pretendam efetuar estágios de

formação e atualização técnica em Portugal, com a duração

de 2 ou de 3 meses, não prorrogáveis, promovidos no âm-

bito de parcerias existentes e a estabelecer, entre institui-

ções prestadoras de cuidados de saúde dos respetivos países

e unidades homólogas de Portugal [8].

Após seis edições do Concurso, realizadas entre 2011 e

2016, a FCG decidiu avançar com um projeto de avaliação

externa dos resultados, na procura de evidência que fun-

damente a sua perceção positiva. Em 2013, a FCG havia já

solicitado a avaliação das duas primeiras edições do Con-

curso, cujos resultados apoiaram a adequação dos estágios

às realidades dos PALOP [9].

A avaliação externa dos resultados do Concurso enquadra-

-se no compromisso expresso do PGPD em estreitar e

aprofundar os seus interesses na avaliação da adequação e

efetividade das estratégias do Programa, pretendendo-se

aplicar aos ciclos de planeamento futuros, as “lições apren-

didas” com a avaliação dos resultados das intervenções do

passado recente.

Modelos teóricos de avaliação dos

programas de ajuda ao desenvolvimento

A avaliação em saúde tem sido alvo de reconhecimento

crescente no apoio à tomada de decisão, implicando o de-

senvolvimento de vários referenciais e modelos teóricos

do processo avaliativo [10,11].

No âmbito da ajuda ao desenvolvimento, a tipologia utili-

zada nas avaliações normativas e investigação avaliativa das

intervenções de saúde desenvolvidas pelo grupo interdis-

ciplinar da Universidade de Montreal, com base no mode-

lo de avaliação do

Centers for Disease Control and Prevention

,

tem-se revelado particularmente adequada [11].

No debate dos modelos de avaliação de programas de

formação profissional nas áreas da saúde, designadamen-

te médica e de enfermagem, as questões colocadas são de

natureza muito heterogénea, desde as relacionadas com

o objetivo e foco da avaliação, ao tipo de participantes, à

metodologia e à forma de comunicação dos resultados se-

lecionados [13,14,15,16,17].

O modelo de avaliação de programas de aprendizagem

desenvolvido por Donald Kirkpatrick, com uso generali-