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Notas de Investigação

Introdução

“A Saúde é uma boa forma de se medir o progresso do mundo na

erradicação da pobreza, crescimento inclusivo e equidade”

[1]

Margaret Chan, Diretora-Geral da OMS (2007 a 2017)

In: 67.ª Assembleia Mundial de Saúde, Genebra,

19 de maio de 2014

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentá-

vel das Nações Unidas[2] estabelece 17 objetivos de

desenvolvimento sustentável (ODS) e 169 metas,

reforçando e valorizando no objetivo 17 a equida-

de e as parcerias no sentido de revitalizar o desen-

volvimento sustentável a partir de um compromisso

solidário entre instituições e cidadãos de todos os

países em prol dos mais pobres e mais vulneráveis.

Procurar uma maior equidade no combate às doen-

ças negligenciadas através de uma maior produção

de conhecimento sobre estas temáticas[3] ajudará na

prevenção junto das comunidades e na disseminação

de boas práticas de Saúde Pública que ajudem pro-

gressivamente a combatê-las.

O Instituto de Higiene e MedicinaTropical da Universi-

dade Nova de Lisboa e a Escola Nacional de Saúde Públi-

ca (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), no

Rio de Janeiro - Brasil, são instituições que têm como

missão realizar investigação e oferecer soluções para as

doenças tropicais e a Saúde Pública internacional visan-

do o seu controle, a promoção da saúde dos cidadãos e

a melhoria da qualidade de vida e são duas instituições

que permanecem desde as primeiras décadas

[4] da sua

existência ligadas pela história e pela língua através de

diversas colaborações e parcerias

[5] no âmbito do Pla-

no Estratégico de Cooperação em Saúde dos PALOP,

em projetos de pesquisa e gestão do conhecimento, pa-

trimónio da saúde, de mobilidade e de investigação.

MedTROP

– uma parceria colaborativa e inovado-

ra na gestão do conhecimento entre o

IHMT e a ENSP/FIOCRUZ

O Projeto “MedTROP – Diretório de Medicina Tro-

pical e Saúde Pública Internacional em Acesso Aberto

para um Desenvolvimento Sustentável” é uma parceria

entre o IHMT e a ENSP/FIOCRUZ assente na preo-

cupação conjunta em contribuir para a erradicação das

doenças negligenciadas, endémicas em 149 países em

desenvolvimento[6], através do incentivo à produção e

gestão de conhecimento e sua disponibilização em aces-

so livre, tendo por base o princípio da equidade e da

colaboração de acordo com o ODS 17 e a meta 16.10

do ODS 16 relativo ao acesso aberto à informação e de

acordo com o princípio de que o conhecimento “é de

todos e para todos” e que a ciência aberta torna os cida-

dãos mais participativos na sociedade civil, conscientes

da ciência, conduzindo a uma mudança de hábitos.

Do mesmo modo, quando os dados científicos são dis-

seminados em acesso livre e o conhecimento é parti-

lhado entre investigadores e cidadãos, mais facilmente

a ciência é lida, entendida, partilhada e reutilizada per-

mitindo gerar nova ciência e ser o motor de mudança

para uma nova sociedade mais sustentável e inclusiva.

Para melhorar a eficácia e qualidade relativa à imple-

mentação e concretização deste projeto no sentido de

introduzir boas práticas que permitam mais facilmente

cumprir aAgenda 2030 para o desenvolvimento susten-

tável, pretendemos seguir as orientações expressas na

Research Fairness Initiative

(RFI)[7]do COHRED (

Council

on Health Research for Development

), no sentido de me-

lhorar a equidade ao nível da investigação e pesquisa,

utilização e transferência de tecnologias, apoio à cultura

de inovação e formas de comunicação com a comuni-

dade de modo a aumentar a eficiência e

performance

da

colaboração entre os parceiros do projeto.

A parceria do projeto MedTROP assenta em três eixos

estratégicos a desenvolver, que refletirão as orienta-

ções contidas no domínio três do RFI relativas à par-

tilha equitativa de benefícios e resultados entre as ins-

tituições parceiras do projeto, nomeadamente no que

concerne aos indicadores relativos ao treino e gestão

da informação (3.11.1. e 3.11.2.); transferência de

tecnologia (3.12.1.) e partilha dos direitos de proprie-

dade intelectual (3.12.2.); apoio à cultura da inovação

(3.13.3) e no que concerne às preocupações societais,

com particular ênfase para o alcance dos objetivos de

desenvolvimento sustentável (3.14.3). Os eixos priori-

tários do projeto a desenvolver são os seguintes:

i. Desenvolvimento de um Diretório de Medicina

Tropical e Saúde Pública Internacional emAcessoAber-

to tendo por base um glossário de Medicina Tropical

conectado por um lado ao repositório de informação

científica RCAAP (que engloba o portal brasileiro OA-

SISbr), mas também a outros conteúdos de Medicina

Tropical, projetos de ciência cidadã, cursos em elear-

ning, e informação diversificada relacionada com a his-

tória da Medicina Tropical que possa ser depositada no

âmbito dos PALOP.

ii. Promoção de um sólido conhecimento por parte

dos investigadores e profissionais de saúde relativamen-

te à prevenção, diagnóstico, controlo e erradicação de

doenças tropicais, tornando a informação mais facil-

mente acessível através do acesso aberto e melhorando

as competências através de programas de pesquisa e li-

teracia de informação.